segunda-feira, 6 de abril de 2015

Burnout: O Fim da Linha

A escassez de recursos e a pressão para obter resultados estão a levar cada vez mais trabalhadores ao esgotamento físico e emocional. 

Leia o artigo, conheça os casos e a análise dos especialistas e teste-se através do link da Revista Visão

segunda-feira, 16 de março de 2015

Did you say... Mindfulness?


We know the word, but do we know the meaning and how to use it in our daily lives? Is it just another trend, destined to fade, or is something else, important enough to be taken seriously, as a business, as an academic and scientific field and as a better way to live and to cope with health problems?
Jon Kabat-Zinn was the man who transformed buddhist meditation into a stress reduction method, giving it the scientific frame it now has, in american culture. The technique, which combines meditation and Hatha yoga, is being used by famous CEOs (from Apple and Google, to quote a few) and is progressively conquering a its own place in the university programs. Designed to to help patients cope with stress, pain, and illness by using what is called "moment-to-moment awareness", Mindfulness has come to stay. Among psychiatrists, also.    

Read more about it in Iva Tarle's post How is Mindfulness Used by Psychiatrists? and check how mental health professionals are incorporating the method in their clinical practice, in Psychology Tomorrow Magazine


quinta-feira, 5 de março de 2015

Conhece a Psicologia do Tempo?

Estou aqui. Estou no agora. Há pouco estava com a cabeça no amanhã. Até me esqueci que já eram horas de voltar a entrar na impagável roda do tempo, das rotinas. O tempo voa. Ontem não era assim. tinha todo o tempo do mundo. O que é o Tempo? O meu, o teu, o nosso? Na Antiguidade Clássica, os gregos tinham mais que uma designação para a 4ª dimensão; o tempo cronológico (Chronos), linear ou sequencial, e o tempo subjetivo (Kairós), humano e indeterminado.

Internamente, tendemos a medir o Tempo em função dos intervalos entre eventos que consideramos significativos - o nascimento de um filho, uma separação, etc. As experiências marcantes e o intervalo entre elas definem o nosso tempo (Kairós), são a timeline da nossa história, distinto do tempo cronológico (Chronos). A dupla natureza do tempo origina insólitas distorções percetivas.

A Persistência da Memória - Salvador Dali (1931)

«Já?! Parece que foi ontem». Percebemos o Tempo de modo mais rápido à medida que somos mais velhos. A aceleração subjetiva do Tempo, à medida que a idade avança (fenómeno conhecido por telescopia) deve-se a factores tão diversos como:


  • aumento do tempo de reacção: fisiologicamente, o relógio biológico tende a desacelerar com o passar dos anos e as horas do relógio parecem-nos, então, mais velozes, um erro de paralaxe: sentimos que não acompanhamos o ritmo, até porque o nosso tempo de reação se torna mais lento
  • perceção e resposta de stresse: são precisas unidades de tempo extra para responder às mesmas exigências e pressões da vida adulta, que passam a correr, umas atrás das outras, ou todas ao mesmo tempo. De tão imersos nelas, damos menos atenção à cronologia. «O tempo foge entre os dedos». 
  • «meteorologia emocional» - no fluxo da consciência, passado, presente e futuro emergem, de modo não linear ou cronológica. A memória é influenciada pelas emoções, são elas que induzem a percepção do Tempo, esse continuum que não tem princípio nem fim. Assim se explica, por exemplo, a nossa tendência para olhar os eventos da adolescência e da infância - as nossas primeiras vezes, as descobertas - como tendo uma duração maior do que a efetiva. "Todo o tempo do mundo"



Somos seres analógicos num mundo digital. O nosso relógio interno pauta-se pelos marcos de vida (a narrativa pessoal): quanto mais espaçados no tempo (eventos menos frequentes, portanto), maior o desfasamento entre o "meu tempo" e o "dos outros". "Ainda ontem era um bébé, já está um homem".

A velocidade de Kairós depende da experiência consciente (consoante estamos acordados, a dormir, a sonhar, sob influência de drogas, em êxtase ou quando estamos a rezar, a meditar, a tocar ou a ouvir uma melodia). Há mesmo quem considere que, em certos estados mentais, se consegue transcender a barreira do Tempo, por se tornar tão lento ao ponto de parar completamente (sim, podemos chamar-lhe Nirvana).

A perspetiva temporal é uma das mais poderosas influências no comportamento humano 
No seu livro Time Paradox (2008), o psicólogo social americano Philip Zimbardo defense que cada um de nós tem uma perspetiva enviezada do Tempo, com implicações óbvias na condução das nossas vidas.

  • A má notícia: sem usar o que ele designa por "a nova psicologia do tempo", podemos ficar reféns de um padrão de pensamento e ação desvantajosos para nós. 
  • Exemplos :  "Vivo o hoje, adapto-me às circunstâncias" (orientação para o presente), "Há que andar para a frente, planear, fazer listas" (orientação para o futuro), "No meu tempo... o tempo é cruel... se eu tivesse outra vez 20 anos" (orientação para o passado).
  • A boa notícia: é possível introduzir mudanças na nossa perspetiva temporal e, com isso, fazer os ajustes necessários para restaurar a nossa qualidade de vida. 

O questionário para quantificar a Perspetiva do Tempo trouxe a Zimbardo tanta ou mais popularidade do que a Experiência da Prisão de Stanford (1971), estudo que foi adaptado ao cinema no início deste ano. A simulação, com estudantes universitários, durou apenas seis dias, altura em que foi interrompida, pelo rumo dramático, e inesperado, dos eventos. Conclusão: pessoas boas podem tornar-se infernais num contexto que o permita (o estudo voltou a estar na ribalta, após os abusos praticados, em 2004, na prisão de Abu Ghraib).

Agora, que a prática do Mindfulness - atenção plena -  está a conquistar executivos, académicos e a chegar, através de workshops, ao cidadão comum, as últimas tendências da investigação neste campo sugerem três pistas para mudar a perspetiva de tempo, com benefícios na saúde e na longevidade:


Abrandar 

Meditar 

Estar atento    

OBS:
Este texto foi escrito entre ontem e hoje. Foi uma agradável supresa descobrir, também hoje, a edição de aniversário do jornal Público, gratuita e inteiramente dedicada ao Tempo. Ainda consegui ir a tempo de encontrar um exemplar e, já que em matéria de tempo, "não há duas sem três", enquanto conduzia até casa,
com o rádio ligado, apercebi-me da abertura da exposição The Clock, de Christian Marclay, a decorrer até 19 de Abril, no Museu Berardo, em Lisboa. 

 

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Velocidade Pessoal



«Devagar, Depressa». O título da crónica Sinais, de Fernando Alves, na TSF, que hoje me fez abrandar as rotinas matinais e mereceu uma segunda audição, em podcast. 

Inspirada num destaque de primeira página da edição do Jornal de Negócios, convida a uma contemplação sobre a velocidade pessoal e a arte de gerir-la nos relacionarmos com os outros.  Ouvir AQUI

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

O que as 50 Sombras de Grey trouxeram à Luz


Veja a leitura psicológica do fenómeno AQUI (Entrevista na TVI 24)
e
Leia o artigo sobre o tema AQUI (Sexo: Das Sombras à Luz - Revista Visão)


A sexualidade não tem idade. Tem diversidade. E muitas formas de expressão, movidas por razões igualmente diversas. Pelo prazer da descoberta, por pura diversão, por uma questão de preferência ou como via de transformação pessoal.

Sempre tem sido assim, mas vivido na sombra. Daí que, de tempos a tempos, venha à tona uma música, um livro ou um filme que se converte num fenómeno social e mediático. Que destrone ideias feitas acerca do que é o Normal, o prescrito, em matéria de jogos entre adultos. Cada tempo e transição social e de costumes tem os seus ícones, agents provocateurs incluídos.

Década a década, costumes e práticas de imensas minorias vão saindo do armário. Nesta, a era da tecnologia, do marketing e da globalização, o desafio é dar permissão ao BDSM para entrar, sem culpas nem o rótulo de perturbação mental, na domesticidade conjugal e na vida de cada um. Com aceitação social, portanto.

Será esse o «segredo» da trilogia da best seller americana E L James (e da versão cinematográfica)? BDSM goes mainstream? Como ficção que é, não podem deixar de lá estar os ingredientes clichê que prendam o espetador (as espetadoras, já agora): as tormentas secretas do herói poderoso e as vicissitudes da jovem que se apaixona por ele. Nada de novo, apenas uma nota diferente: face a obras do género (romances, dramas ou thrillers eróticos), a «moral da história» promete ser menos fatalista. E, talvez até, fantasista.




quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

O Self na Era Digital

No passado sábado tive o prazer de participar, como speaker, na terceira edição do TalkABit, na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP).

Trata-se de um evento de palestras sobre o impacto da engenharia de software na sociedade moderna. O tema que apresentei: O Impacto da Tecnologia no Quotidiano: Uma Perspetiva Psicológica




Aqui fica o registo de toda a conferência, organizada por estudantes do seminário Sistemas de Informação e Engenharia de Software. Vale a pena ver e ouvir as comunicações do painel de convidados, em streaming (apesar da qualidade reduzida do som)



Time Code: 1.04.46 - 1.23.44

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Queremos as noites tranquilas de volta!


Quando os filhos pequenos não dormem nem deixam os pais dormir.
Como o estado emocional e as circunstâncias de vida dos pais afeta o comportamento dos filhos (e vice-versa).
Porque andamos a dormir cada vez menos horas e em que medida afeta o desenvolvimento e o rendimento.
O que dizem pediatras, especialistas em sono infantil e quem superou o drama das noites de inferno.
Programas personalizados para mudar hábitos e regularizar rotinas.
Tudo o que deve saber para reencontrar o equilíbrio.
Leia mais nesta edição da revista Visão (nº 1143) ou AQUI

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Decisões de ano novo



À entrada num novo ano, a situação repete-se: é desta que se vai perder peso, deixar de fumar ou fazer mais desporto. Até que ponto somos capazes de por em prática as resoluções tomadas?

Na 1ª edição deste ano da Revista Visão, pode ficar a conhecer histórias de portugueses que, em diferentes idades e etapas de vida, contam como levaram as suas resoluções a bom porto, confirmando os resultados de investigações cientificas neste âmbito. Em sintese, a motivação para mudar conta, mas não chega; é preciso ter em conta quatro fatores:

Automotivação
Controlo Cognitivo (mental)
Regulação Emocional
Aceitação da Ambiguidade



domingo, 7 de dezembro de 2014

Quinta Dimensão


Hans Zimmer é um nome incontornável no universo dos compositores de bandas sonoras. Fã incondicional dos seus trabalhos, cativa-me a evolução que ele vai fazendo, obra atrás de obra, surpreendendo-me sempre. A última surpresa resulta da parceria feliz com o realizador Christopher Nolan, no filme Interstellar (ver mais em The Story Of How Hans Zimmer Wrote The Interstellar no Business Insider, a partir de um artigo do The Guardian, assinado por Tom Shone).

Já em Inception (do mesmo realizador), sobre o sonho dentro do sonho (e as dimensões do real), o Tempo teve direito a uma faixa, Time, na banda sonora, que inclui ainda uma versão mais alargada do tema. Em Interstellar, o Tempo é uma presença que vai sendo explorada ao longo de todo o filme e volta a merecer destaque numa das faixas, Afraid of Time.

Existir é um processo solitário, que ganha sentido quando é vivido através do olhar de um outro e na relação com ele, o que nos torna plenamente humanos. Finitos numa dimensão, infinitos numa outra: os sonhos e as singularidades de hoje transformam-se nas memórias futuras de nós, em outros, amanhã. No espaço intergaláctico e nos trilhos vivos do nosso ADN.

Tanto em Inception como em Interstellar, o dilema dos protagonistas só começa a deixar de o ser quando eles desafiam os limites do que concebem como possível ou real, saindo então do paradoxo. 
A parceria Zimmer-Nolan tem o mérito de veicular, na perfeição, esta possibilidade de conceber o impossível e mergulhar numa nova dimensão.


O poema de Dylan Thomas, Do Not Go Gentle Into That Good Night, pano de fundo do épico espacial Interstellar – e já não via um filme de ficção assim desde 2011 Odisseia no Espaço – transporta-nos para essa quinta dimensão, O que tiver de acontecer, acontecerá. Mas que não seja gentil e conformada (desesperançada, até) a longa viagem de uma estrela. Ou a evolução de uma espécie. 

Nem a curta jornada de um homem, que abre os olhos à luz sabendo que caminha para o sono e a escuridão. Sabendo também, e por fim, que a matéria não existe sem o coração dos buracos negros (a singularidade, assim se designa, na Física), onde o tempo do relógio para e o espaço deixa de existir. A quinta dimensão tem um som e Zimmer soube captá-lo.


domingo, 2 de novembro de 2014

Crescer no Ecrã



indiwire.com

Em Boyhood (Momentos de Uma Vida), acompanhamos a trajetória pessoal de um rapaz, desde a infância até ao final da adolescência e a evolução da sua relação com os pais.

Richard Linklater surpreende com esta ficção, escrita e filmada ao longo de 12 anos. «Entrar» no universo dos protagonistas e olhar o momento presente - pessoal e social - pelos olhos deles, é a grande valia da obra, premiada no festival de cinema de Berlim.



Cada momento, cada transição de vida, são oportunidades para revelar e atualizar a natureza e espessura dos vínculos, dos papeis, dos talentos e das vulnerabilidades de cada um.

Um filme sobre a continuidade humana - medos, frustrações, incertezas e sonhos - na descontinuidade dos dias. 

O trabalho dos atores e a banda sonora valem por si. «To be continued»,..

Estreia a 27 de novembro, nas salas de cinema portuguesas, Veja o Trailer