Sempre que os males de amor teimam em bater à porta, não se queixe da má sorte. Através deles, aprenda a acreditar mais em si e nas oportunidades da vida
menwithpens.ca
Por Clara Soares
Embora o amor seja o bem mais precioso que homens e mulheres procuram, os desencontros e decepções acabam por ser o caminho mais rápido para se conhecerem uns aos outros e afinarem expectativas, crenças pessoais e até formas mais enriquecedoras de relacionamento. Um estudo divulgado na revista Psychology Today, sobre os factores que trazem valor acrescentado e bem-estar à vida, mostrou que o maior indicador de felicidade é – mais do que o salário, a liberdade política ou a saúde mental – um relacionamento estável no plano afectivo. As vantagens físicas e emocionais do amor podem ser tão valiosas que se torna quase legítimo correr atrás delas sem olhar a riscos e, por vezes, de forma indiscriminada. Ver em alguém algo que nos falta e nos preenche, ter esse alguém sempre por perto e confiar-lhe todas as nossas carências e assuntos não resolvidos revela-se uma ideia atraente mas arriscada, pois quando o foco é exclusivamente centrado na descoberta da pessoa ideal para confiar, há pistas que ficam pelo caminho e o mais certo é acabar sem ninguém.
De tal modo que o consultor da série "Sexo e a Cidade", Greg Behrendt, dedicou um episódio inteirinho ao temado seu livro "He’s not into You", em conjunto com Liz Tucillo, que se baseou na sua experiência de ter gostado de homens que a rejeitavam. Entrevistado por Oprah Winfrey, Greg afirmou que as mulheres são peritas em fechar os olhos a sinais ambíguos lançados pelo sector masculino, nem sempre interessado em compromissos sérios. Resultado: iludem-se a si mesmas até ouvirem um rotundo “não”, até o encontrarem com outra ou perceberem que aqueles encontros eram um mero passatempo. Para ter certezas, o conselho dos autores é radical: nada de feminismos, o melhor mesmo é esperar que eles sejam os primeiros a convidá-las a sair, sem ansiedades nem atitudes desesperadas.Mas por trás desta ânsia de confiar-se a alguém, de entregar-se a qualquer preço, pode estar um coração vazio, uma personalidade imatura e, por conseguinte, nada inspiradora de confiança para os potenciais candidatos.O segundo motivo para não ir à procura do amor da sua vida surge, naturalmente, desta premissa: na maioria dos casos, o amor encontra-a a si. Quando é que isso acontece? Quando o amor que se tem para dar existe em sede própria e pode ser, aí sim, partilhado (sem que a dádiva possível e aceitável para um não seja sempre pouca para o outro, que assume – queira ou não – o papel de eternamente insatisfeito).
Ser confiável torna-se o requisito número um para inspirar confiança e atrair um compromisso gratificante para as partes. O passo seguinte é ser capaz de resistir aos primeiros equívocos, frustrações e embates. Entre as razões mais frequentes que levam ao desgaste e à separação, os conflitos são a mais evidente: o dinheiro, a educação dos filhos, as tarefas domésticas, a gestão dos tempos livres e, claro, o sexo, são quase sempre chamadas de atenção, nem sempre conscientes, para necessidades pessoais antigas.À conta de tantas vezes se reprimir o que se quer dizer na hora certa, de fazer de conta que não se vê nem se sente para não criar conflito, ele acaba por irromper pelas vias disponíveis e nas horas mais críticas. Instalada a desconfiança, o diálogo assume a forma de um combate e, para muitos casais, a crise aberta acaba por funcionar como o único escape para gritar o que poderia ser dito sem medos nem ameaças, sem acusações nem inseguranças. As carências ocultas que emergem à superfície podem ser, uma vez por outra, mascaradas com as reconciliações, mas não as resolvem.O grande mistério de uma relação “sem preço” reside na atitude desprendida (sem esperar mais do que o outro pode dar), associada a uma boa dose de compaixão (o outro também tem vulnerabilidades, defeitos e qualidades) e humor (nada é tão sério que justifique uma atitude desesperada).
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domingo, 23 de janeiro de 2011
A outra face do sexo
Fazer amor é uma porta de acesso para facetas de nós que desconhecemos. Os caminhos da libido passam pelos becos do encanto, da desilusão e da transformação interior. Desvende-os e descubra qual é o seu.
From Wong Kar-Wai's 1995 drama Fallen Angels
Por Clara Soares
“O que te leva a pensar que eu quero fazer amor contigo?” A reacção é comum nos labirintos da sociedade global, onde é impossível não encontrar sexo ao virar da esquina. Na democracia sexual, em que a diversidade de condutas é regra – e politicamente correcta –, ter um fuck buddy (amigo que, ocasionalmente, assume a função de parceiro sexual) é considerado normal, sobretudo nos meios urbanos e cosmopolitas. Se fazer amor é uma actividade natural, que gera – além de filhos – prazer e até alívio da tensão, por que razão se converteu num valor absoluto, ao ponto de ser massificada? Por que há cada vez mais aquilo que muitos apelidam de “obsessão contemporânea”, que leva a que o mais pequeno gesto de aproximação seja interpretado como luz verde para “passagem ao acto”?
O sexo é a droga nos novos tempos. Trabalhos sobre o assunto referem que cresce o número de pessoas que, dia sim, dia não, precisa de mais de um contacto sexual (real ou através da Internet), apesar de terem um parceiro regular. Eles começam a aparecer nas consultas de psiquiatria e psicoterapia. O mal-estar de que falava Freud revela-se mais presente que nunca. As obsessões, as fobias e a depressão que nos afligem são camufladas por doses regulares dessa droga que o corpo aprende a pedir para se anestesiar e aplacar carências e medos.“Eu bem sei, tenho uma pessoa que me ama, mas não resisto a ir para os chats (canais de conversa em tempo real na Internet), teclar com os meus admiradores virtuais e ali fico horas, não sei passar sem aquilo”, admite Júlia (nome fictício), de 30 anos, vendedora de espaço publicitário. “Aqui, conheço pessoas que de outro modo não conheceria.” Miguel (nome fictício), de 28 anos e trabalhador-estudante, é um incondicional do programa Messenger. O tempo livre é pouco e as pausas laborais são integralmente ocupadas a falar com quem aparece, até que se troca o número de telemóvel, até que se marca o encontro “e depois logo se vê, dá jeito ter alguém para ir comigo jantar e algo mais se houver clima, porque não?”Por que é que “ter alguém” – no sentido de consumar ou possuir – é um desejo tão comum e premente, como se dele dependesse a sobrevivência emocional?
Para os psicanalistas, as condutas sexuais exacerbadas ou disfuncionais são apenas a face visível das pulsões agresssivas inconscientes e mal canalizadas (libido ao serviço da auto-gratificação compulsiva). Quando o sexo é tudo, algo vai mal dentro de nós. Não é por acaso que a necessidade de admiração excessiva, a manipulação dos outros, as fantasias de poder e amores ideais e o sentimento de auto-importância fazem parte do que os psiquiatras convencionaram chamar “perturbações narcísicas da personalidade”.No manual de diagnóstico e classificação das perturbações do foro psiquiátrico, o sentimento de vazio, os relacionamentos instáveis e a impulsividade (agida pelo sexo, nas compras ou na voracidade alimentar) marcam as “personalidades limite”; as interacções de sedução sexual constante, a necessidade de ser sempre o centro das atenções e o exacerbar de emoções são reacções típicas dos que padecem de “perturbações histriónicas” de personalidade. E o sexo compulsivo aparece, mais recentemente, como uma subcategoria dos transtornos obsessivo-compulsivos.
A maioria dos cientistas e terapeutas, seja qual for o seu modelo de formação, é unânime quanto ao facto de o maior órgão sexual ser o cérebro, a sala de comando central que governa as nossas escolhas. Em caso de crise – frustrações, problemas emocionais e até existenciais –, o sexo é um veículo de expressão do corpo. Saturado de hormonas desgovernadas, o corpo anseia por libertá-las. A energia acumulada passa as barreiras da mente e, na forma mais instintiva e animal, os comportamentos eróticos e sexuais trazem à tona conflitos e facetas pessoais que estavam adormecidas, mantidas na sombra.
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From Wong Kar-Wai's 1995 drama Fallen Angels
Por Clara Soares
“O que te leva a pensar que eu quero fazer amor contigo?” A reacção é comum nos labirintos da sociedade global, onde é impossível não encontrar sexo ao virar da esquina. Na democracia sexual, em que a diversidade de condutas é regra – e politicamente correcta –, ter um fuck buddy (amigo que, ocasionalmente, assume a função de parceiro sexual) é considerado normal, sobretudo nos meios urbanos e cosmopolitas. Se fazer amor é uma actividade natural, que gera – além de filhos – prazer e até alívio da tensão, por que razão se converteu num valor absoluto, ao ponto de ser massificada? Por que há cada vez mais aquilo que muitos apelidam de “obsessão contemporânea”, que leva a que o mais pequeno gesto de aproximação seja interpretado como luz verde para “passagem ao acto”?
O sexo é a droga nos novos tempos. Trabalhos sobre o assunto referem que cresce o número de pessoas que, dia sim, dia não, precisa de mais de um contacto sexual (real ou através da Internet), apesar de terem um parceiro regular. Eles começam a aparecer nas consultas de psiquiatria e psicoterapia. O mal-estar de que falava Freud revela-se mais presente que nunca. As obsessões, as fobias e a depressão que nos afligem são camufladas por doses regulares dessa droga que o corpo aprende a pedir para se anestesiar e aplacar carências e medos.“Eu bem sei, tenho uma pessoa que me ama, mas não resisto a ir para os chats (canais de conversa em tempo real na Internet), teclar com os meus admiradores virtuais e ali fico horas, não sei passar sem aquilo”, admite Júlia (nome fictício), de 30 anos, vendedora de espaço publicitário. “Aqui, conheço pessoas que de outro modo não conheceria.” Miguel (nome fictício), de 28 anos e trabalhador-estudante, é um incondicional do programa Messenger. O tempo livre é pouco e as pausas laborais são integralmente ocupadas a falar com quem aparece, até que se troca o número de telemóvel, até que se marca o encontro “e depois logo se vê, dá jeito ter alguém para ir comigo jantar e algo mais se houver clima, porque não?”Por que é que “ter alguém” – no sentido de consumar ou possuir – é um desejo tão comum e premente, como se dele dependesse a sobrevivência emocional?
Para os psicanalistas, as condutas sexuais exacerbadas ou disfuncionais são apenas a face visível das pulsões agresssivas inconscientes e mal canalizadas (libido ao serviço da auto-gratificação compulsiva). Quando o sexo é tudo, algo vai mal dentro de nós. Não é por acaso que a necessidade de admiração excessiva, a manipulação dos outros, as fantasias de poder e amores ideais e o sentimento de auto-importância fazem parte do que os psiquiatras convencionaram chamar “perturbações narcísicas da personalidade”.No manual de diagnóstico e classificação das perturbações do foro psiquiátrico, o sentimento de vazio, os relacionamentos instáveis e a impulsividade (agida pelo sexo, nas compras ou na voracidade alimentar) marcam as “personalidades limite”; as interacções de sedução sexual constante, a necessidade de ser sempre o centro das atenções e o exacerbar de emoções são reacções típicas dos que padecem de “perturbações histriónicas” de personalidade. E o sexo compulsivo aparece, mais recentemente, como uma subcategoria dos transtornos obsessivo-compulsivos.
A maioria dos cientistas e terapeutas, seja qual for o seu modelo de formação, é unânime quanto ao facto de o maior órgão sexual ser o cérebro, a sala de comando central que governa as nossas escolhas. Em caso de crise – frustrações, problemas emocionais e até existenciais –, o sexo é um veículo de expressão do corpo. Saturado de hormonas desgovernadas, o corpo anseia por libertá-las. A energia acumulada passa as barreiras da mente e, na forma mais instintiva e animal, os comportamentos eróticos e sexuais trazem à tona conflitos e facetas pessoais que estavam adormecidas, mantidas na sombra.
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O papel da 'Outra'
Ser amante é descobrir o lado clandestino que há em si e confrontar-se com medos e desejos secretos.
Jill Del Mace, The Secret Lover
Por Clara Soares
“Eu guardo em mim um segredo. Bem escondido de olhares alheios, este ficheiro secreto é parte de mim. Quando estou com ele, vivo momentos afortunados que compensam o frio da ausência, na hora em que ele retorna a casa.” Para Manuela F., de 33 anos, divorciada, é preferível assim. Mãe de uma criança com oito anos, a assessora trabalha a tempo inteiro num parque de tecnologias. Entre as tarefas caseiras e a função de mãe consegue ter raros, mas preciosos, momentos de lazer. E espaço, pela primeira vez desde o divórcio, para sonhar de novo com o braço de alguém ali à mão. Um dia, deu por si a flirtar com o técnico de marketing do departamento onde ela se dirigia, amiúde, para entregar o plano de trabalhos das reuniões semanais com chefias. Por diversas vezes, cruzou-se com ele no refeitório. Renasceu nela o desejo de voltar a sentir aqueles sinais de arrebatamento, os choques hormonais que levam a cabeça até à Lua. “Deixei-me ser vista, desejada, apreciada. Pela primeira vez, concebi para mim que podia ter um caso com ele.” Ou melhor, ser a amante dele, porque, reparou depois, ele já tinha aliança (que é como quem diz, uma “dona”).
“Um amante é um homem em part-time, um vínculo precário, como o dos recibos verdes”, explica Manuela. Com ela, ele só tem permissão para estar no seu melhor. É a regra de ouro que torna suportáveis os danos emocionais da incerteza e da disponibilidade escassa. Não admira que diga: “Não tenho a obrigação de lhe lavar o pijama, de lhe aturar as neuras e de lhe arrumar as coisas”, como que a convencer-se a si mesma de que é preferível viver as leis da atracção em regime de “colaboração” do que na pele de “funcionária do quadro” – a rival que a faz sofrer, nas fases de ciúme vividas em silêncio. Manuela parece egocêntrica, fria. Como ela, muitas mulheres que se envolvem com homens inacessíveis para um compromisso acabam por, sem se dar conta, desenvolver um mecanismo de defesa para lidar com a eventual frustração de ter um parceiro “a dias”, ou melhor, “a horas”. “Não tinha a intenção de viver uma paixão impossível”, confessa. Porém, acabou por se render ao apelo da paixão secreta. “Perdoa-se o mal que faz pelo bem que sabe”, acrescenta. O bem, esse “consolador” de carne e osso, instalou-se de vez nos hábitos diários, tão natural e necessário como o café da manhã.Tudo correria assim, sem sobressaltos, se não entrasse o factor temporal em cena.Quanto mais tempo se mantém um affair, maiores as probabilidades de um dos dois ficar envolvido ou criar expectativas difíceis de realizar, segundo algumas investigações.
Hoje sabe-se que uma paixão dura, em média, de seis meses a um ano. Segundo as teorias evolucionistas, o corpo dá sinais de desgaste a partir deste intervalo de tempo, mostrando-se biologicamente incapaz de gerir a turbulência dos neurotransmissores e hormonas. Ao fim de algum tempo, uma relação tende a “defender-se” biologicamente dos efeitos do stress passional, mudando o seu registo: o casal entra numa fase estabilizada, mais serena e sexualmente diferente. Aí começam os problemas. A regra de ouro da candidata a “amante” é nunca se envolver. E quem infringe a regra também se candidata a ter muitas dores de cabeça e ressacas de desilusão. Ou não.A amante realista, mesmo sem o saber, é o porto de abrigo, o amortecedor de uma relação conjugal (que se mantém porque é compensada fora de casa). A amante idealista tende a cair no papel de vítima, sonhando com o que não pode ter e punindo-se por não conseguir ser amada. A esta, resta-lhe fazer aquilo que mais teme: renunciar ao triângulo, desistir de lutar (o amor dispensa luta), libertando-se assim do fardo da culpa.
Amantes
Honoré de Balzac disse que é mais fácil ser amante que marido (ou esposa): “É mais fácil ser oportuno e engenhoso de vez em quando do que todos os dias”.
As amantes dividem-se em duas categorias: as libertinas, dadas a viver intensas paixões; e as infractoras (que se envolvem com homens descomprometidos, estando casadas, ou se envolvem com alguém que tem aliança).
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Jill Del Mace, The Secret Lover
Por Clara Soares
“Eu guardo em mim um segredo. Bem escondido de olhares alheios, este ficheiro secreto é parte de mim. Quando estou com ele, vivo momentos afortunados que compensam o frio da ausência, na hora em que ele retorna a casa.” Para Manuela F., de 33 anos, divorciada, é preferível assim. Mãe de uma criança com oito anos, a assessora trabalha a tempo inteiro num parque de tecnologias. Entre as tarefas caseiras e a função de mãe consegue ter raros, mas preciosos, momentos de lazer. E espaço, pela primeira vez desde o divórcio, para sonhar de novo com o braço de alguém ali à mão. Um dia, deu por si a flirtar com o técnico de marketing do departamento onde ela se dirigia, amiúde, para entregar o plano de trabalhos das reuniões semanais com chefias. Por diversas vezes, cruzou-se com ele no refeitório. Renasceu nela o desejo de voltar a sentir aqueles sinais de arrebatamento, os choques hormonais que levam a cabeça até à Lua. “Deixei-me ser vista, desejada, apreciada. Pela primeira vez, concebi para mim que podia ter um caso com ele.” Ou melhor, ser a amante dele, porque, reparou depois, ele já tinha aliança (que é como quem diz, uma “dona”).
“Um amante é um homem em part-time, um vínculo precário, como o dos recibos verdes”, explica Manuela. Com ela, ele só tem permissão para estar no seu melhor. É a regra de ouro que torna suportáveis os danos emocionais da incerteza e da disponibilidade escassa. Não admira que diga: “Não tenho a obrigação de lhe lavar o pijama, de lhe aturar as neuras e de lhe arrumar as coisas”, como que a convencer-se a si mesma de que é preferível viver as leis da atracção em regime de “colaboração” do que na pele de “funcionária do quadro” – a rival que a faz sofrer, nas fases de ciúme vividas em silêncio. Manuela parece egocêntrica, fria. Como ela, muitas mulheres que se envolvem com homens inacessíveis para um compromisso acabam por, sem se dar conta, desenvolver um mecanismo de defesa para lidar com a eventual frustração de ter um parceiro “a dias”, ou melhor, “a horas”. “Não tinha a intenção de viver uma paixão impossível”, confessa. Porém, acabou por se render ao apelo da paixão secreta. “Perdoa-se o mal que faz pelo bem que sabe”, acrescenta. O bem, esse “consolador” de carne e osso, instalou-se de vez nos hábitos diários, tão natural e necessário como o café da manhã.Tudo correria assim, sem sobressaltos, se não entrasse o factor temporal em cena.Quanto mais tempo se mantém um affair, maiores as probabilidades de um dos dois ficar envolvido ou criar expectativas difíceis de realizar, segundo algumas investigações.
Hoje sabe-se que uma paixão dura, em média, de seis meses a um ano. Segundo as teorias evolucionistas, o corpo dá sinais de desgaste a partir deste intervalo de tempo, mostrando-se biologicamente incapaz de gerir a turbulência dos neurotransmissores e hormonas. Ao fim de algum tempo, uma relação tende a “defender-se” biologicamente dos efeitos do stress passional, mudando o seu registo: o casal entra numa fase estabilizada, mais serena e sexualmente diferente. Aí começam os problemas. A regra de ouro da candidata a “amante” é nunca se envolver. E quem infringe a regra também se candidata a ter muitas dores de cabeça e ressacas de desilusão. Ou não.A amante realista, mesmo sem o saber, é o porto de abrigo, o amortecedor de uma relação conjugal (que se mantém porque é compensada fora de casa). A amante idealista tende a cair no papel de vítima, sonhando com o que não pode ter e punindo-se por não conseguir ser amada. A esta, resta-lhe fazer aquilo que mais teme: renunciar ao triângulo, desistir de lutar (o amor dispensa luta), libertando-se assim do fardo da culpa.
Amantes
Honoré de Balzac disse que é mais fácil ser amante que marido (ou esposa): “É mais fácil ser oportuno e engenhoso de vez em quando do que todos os dias”.
As amantes dividem-se em duas categorias: as libertinas, dadas a viver intensas paixões; e as infractoras (que se envolvem com homens descomprometidos, estando casadas, ou se envolvem com alguém que tem aliança).
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Sou Bissexual. É normal!
A cortina de ferro entre heterossexuais e homossexuais está a ruir.
"Sou bi. E daí?”
Clara Soares
Há quatro anos, a cantora brasileira Ana Carolina revelou publicamente a sua preferência por ambos os sexos, garantindo ser mais feliz assim. A cantora canadiana Alanis Morissette já o havia feito, pouco tempo antes, e a onda de revelações começou a ganhar corpo. Na música, Ricky Martin, Pink, Netinho. No cinema, Angelina Jolie, Lindsey Lohan, Tila, Megan Fox. Esta terceira via, que desconcerta a mentalidade dominante – “É-se uma coisa (hetero) ou outra (gay)” –, começa a conquistar um espaço próprio nas conversas, nos fóruns virtuais, nas vidas privadas e nas mentalidades. Séries (Anatomia de Grey, Letra L, Sexo e a Cidade) e filmes (Henry & June, Batman, Matrix, Vicky Cristina Barcelona) não dispensam personagens sexualmente ambíguas. A bissexualidade é um fenómeno passageiro, um problema de identidade ou o reflexo de uma nova atitude nos relacionamentos?
Desde a Antiguidade Clássica que há registo desta forma de relacionar-se. Nos anos 40, o primeiro grande estudo sobre sexualidade humana, liderado pelo investigador Alfred Kinsey, revelou que nove por cento dos americanos eram bissexuais. E desde 1993 que estas orientações deixaram de constar na Classificação Internacional de Doenças, como transtornos de personalidade. O que antes se considerava desviante é hoje uma opção comportamental, decorrente daquilo que uma pessoa sente (mais do que o que faz e com quem). Após a emancipação das mulheres e a conquista de direitos dos gays, a ambiguidade sexual é a nova fronteira a explorar. Ou a temer, constituindo uma ameaça à ordem social estabelecida. Apesar dos movimentos activistas e do Dia da Celebração Bissexual (23 de Setembro), sentir envolvimento físico ou emocional sem a barreira do género é ainda uma ficção para o comum dos mortais.
Homens e mulheres parecem ter representações mentais distintas acerca da sua identidade sexual, tida como mais ampla. O psiquiatra Júlio Machado Vaz admite que nenhuma teoria é satisfatória neste campo e esclarece: “Sim, a bissexualidade existe, mas é normal que angustie; não é por acaso que, até há algum tempo, certos grupos homossexuais consideravam que os bissexuais eram gays não assumidos.” Membro da Sociedade de Sexologia Clínica, Machado Vaz adianta que esta orientação é menos angustiante e ameaçadora para a identidade no caso das mulheres. Camille Paglia, autora de Sexual Personae: Art and Decadence from Nefertiti to Emily Dickinson (1990), refere que existem mais mulheres bi do que homens: elas têm maior apetência para integrar sexo e afecto e com menos traumas.
Independentemente das diferenças de trajectória, o número de homens e mulheres que optam pela ambiguidade sexual está a ganhar visibilidade e há quem assegure tratar-se de uma nova revolução (e não de uma mera tendência): a da flexibilidade e da abrangência, afectiva ou sexual. Maria del Mar, psicóloga e terapeuta holística, em Lisboa, refere que nos últimos oito anos tem acompanhado homens e mulheres de 30 e 40 anos que descobriram a sua bissexualidade, geralmente na sequência de fracassos amorosos. “Começam por viver [mais elas do que eles] uma relação homossexual intensa que dura, em média, três a cinco anos; aí encontram uma forma de satisfazer necessidades que não conseguiam preencher, até então, com o sexo oposto (nem no seio da família de origem).” Uma opção compensatória natural que, embora enriquecedora, leva tempo a ser admitida e vivida com harmonia e maturidade no quotidiano, acrescenta.
A última tendência na comunidade científica encaminha-se para a hipótese de estarmos a assistir, globalmente, a uma postura mais aberta face à atracção, ao amor e aos relacionamentos. Em entrevista à BBC, o médico e ex-ministro da Saúde italiano, Umberto Veronesi, considerou que “será, em três gerações, apenas uma demonstração de afecto, rumo à bissexualidade.
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"Sou bi. E daí?”
Clara Soares
Há quatro anos, a cantora brasileira Ana Carolina revelou publicamente a sua preferência por ambos os sexos, garantindo ser mais feliz assim. A cantora canadiana Alanis Morissette já o havia feito, pouco tempo antes, e a onda de revelações começou a ganhar corpo. Na música, Ricky Martin, Pink, Netinho. No cinema, Angelina Jolie, Lindsey Lohan, Tila, Megan Fox. Esta terceira via, que desconcerta a mentalidade dominante – “É-se uma coisa (hetero) ou outra (gay)” –, começa a conquistar um espaço próprio nas conversas, nos fóruns virtuais, nas vidas privadas e nas mentalidades. Séries (Anatomia de Grey, Letra L, Sexo e a Cidade) e filmes (Henry & June, Batman, Matrix, Vicky Cristina Barcelona) não dispensam personagens sexualmente ambíguas. A bissexualidade é um fenómeno passageiro, um problema de identidade ou o reflexo de uma nova atitude nos relacionamentos?
Desde a Antiguidade Clássica que há registo desta forma de relacionar-se. Nos anos 40, o primeiro grande estudo sobre sexualidade humana, liderado pelo investigador Alfred Kinsey, revelou que nove por cento dos americanos eram bissexuais. E desde 1993 que estas orientações deixaram de constar na Classificação Internacional de Doenças, como transtornos de personalidade. O que antes se considerava desviante é hoje uma opção comportamental, decorrente daquilo que uma pessoa sente (mais do que o que faz e com quem). Após a emancipação das mulheres e a conquista de direitos dos gays, a ambiguidade sexual é a nova fronteira a explorar. Ou a temer, constituindo uma ameaça à ordem social estabelecida. Apesar dos movimentos activistas e do Dia da Celebração Bissexual (23 de Setembro), sentir envolvimento físico ou emocional sem a barreira do género é ainda uma ficção para o comum dos mortais.
Homens e mulheres parecem ter representações mentais distintas acerca da sua identidade sexual, tida como mais ampla. O psiquiatra Júlio Machado Vaz admite que nenhuma teoria é satisfatória neste campo e esclarece: “Sim, a bissexualidade existe, mas é normal que angustie; não é por acaso que, até há algum tempo, certos grupos homossexuais consideravam que os bissexuais eram gays não assumidos.” Membro da Sociedade de Sexologia Clínica, Machado Vaz adianta que esta orientação é menos angustiante e ameaçadora para a identidade no caso das mulheres. Camille Paglia, autora de Sexual Personae: Art and Decadence from Nefertiti to Emily Dickinson (1990), refere que existem mais mulheres bi do que homens: elas têm maior apetência para integrar sexo e afecto e com menos traumas.
Independentemente das diferenças de trajectória, o número de homens e mulheres que optam pela ambiguidade sexual está a ganhar visibilidade e há quem assegure tratar-se de uma nova revolução (e não de uma mera tendência): a da flexibilidade e da abrangência, afectiva ou sexual. Maria del Mar, psicóloga e terapeuta holística, em Lisboa, refere que nos últimos oito anos tem acompanhado homens e mulheres de 30 e 40 anos que descobriram a sua bissexualidade, geralmente na sequência de fracassos amorosos. “Começam por viver [mais elas do que eles] uma relação homossexual intensa que dura, em média, três a cinco anos; aí encontram uma forma de satisfazer necessidades que não conseguiam preencher, até então, com o sexo oposto (nem no seio da família de origem).” Uma opção compensatória natural que, embora enriquecedora, leva tempo a ser admitida e vivida com harmonia e maturidade no quotidiano, acrescenta.
A última tendência na comunidade científica encaminha-se para a hipótese de estarmos a assistir, globalmente, a uma postura mais aberta face à atracção, ao amor e aos relacionamentos. Em entrevista à BBC, o médico e ex-ministro da Saúde italiano, Umberto Veronesi, considerou que “será, em três gerações, apenas uma demonstração de afecto, rumo à bissexualidade.
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Amizades coloridas
“Queres sair comigo hoje?” Há algumas décadas, a pergunta poderia abrir caminho a uma sequência de expectativas que, na melhor das hipóteses, levaria a um hipotético compromisso futuro e, na pior, se ficaria por uma amizade com futuro incerto.
Por Clara Soares
Amizades coloridas
Fernando e Glória, dois trintões bem-dispostos, livres e urbanos, decidiram sair juntos, sem o grupo de amigos ou colegas de trabalho, para tomar um copo ao final da tarde. Ela, mais cautelosa, sugeriu uma esplanada que sabia não ser frequentada por pessoas conhecidas, “para evitar mexericos”. “Logo ali, dei-me conta de um quê de clandestinidade implícito, mesmo que, conscientemente, não tivesse a intenção de um encontro romântico”, lembra Glória. Repetiram a dose uma semana depois e gostaram daquele novo ritual nas rotinas de ambos, feito de trocas de impressões dos respectivos locais de trabalho, histórias e gostos pessoais, pormenores do quotidiano.
Já lá vão três anos de uma sólida amizade, sem haver propriamente regras definidas. “Às vezes, passava-se um mês em que não nos víamos e tínhamos por hábito manter uma certa leveza nos encontros”, explica Glória. E finalmente, a confissão: “Por três ou quatro vezes, tivemos sexo casual.” Glória já teve dois compromissos duradouros e admite que, de momento, não tem em vista uma pessoa suficientemente interessante para partilhar o quarto. Porém, isso parece não incomodá-la particularmente. “Vivo o momento e sei que ele também faz o mesmo. Ambos sabemos que é só sexo e não queremos mais do que isso – nem passar de amigos a namorados, porque nunca foi esse o registo.”
Este “registo”, que vive das (in)certezas de cada dia, marca cada vez mais uma progressiva faixa de pessoas, que não se privam de ter prazer só porque não têm uma relação (como manda – ou mandava – a regra). E se um deles encontrar um parceiro fixo? Estes encontros “em aberto” terão os dias contados? “Não sei”, responde Glória. A verdade é que não pensa sequer nisso, deixando que o momento dite a regra e aceitando, como até agora, as vontades de cada um, sem se forçar ou forçar o outro. “Às vezes, não é fácil”, conclui. “Mas pior seria se nos privássemos de todo, quando nos apetecer a ambos.”
Há ainda quem vaticine o fim do mito da monogamia – não faltam livros sobre o assunto – e a tónica desloca-se agora para um fenómeno emergente, que dá pelo nome de amizades coloridas. O termo nasceu no Brasil e aplica-se para designar relações em que o compromisso fica de fora. “No strings attached”, dizem os americanos. “Sexo com companhia”, dizem os que conhecem por dentro a experiência, mas que ainda não ousam falar disso abertamente ou usando o nome verdadeiro, como os casos anteriores. Afinal, trata-se de uma minoria que nem sequer foi alvo de estudo estatístico ou qualitativo. Porém, revela-se nas conversas de bastidores com pessoas de confiança, que “não vão dar com a língua nos dentes”, por assim dizer.
As regras do jogo são tácitas e nem todos terão perfil para jogá-las. Uma delas é não assumir, à boa maneira do adultério. Talvez por isso sejam mais comuns em faixas etárias superiores aos 30, quando já se tem uma noção de si mais diferenciada, com mais “calo”, e se passou pela turbulência de amores e desamores.
O médico Pedro de Freitas, especializado em Saúde Mental e Sexologia Clínica, confirma este fenómeno. Nas consultas de psicoterapia a que se dedica há vários anos, alguns dos pacientes mencionam "en passant" este tipo de amizades, que funcionam, no entender dos visados, como complemento de uma vida que se quer bem vivida e sem culpas.
“Não posso traçar um perfil, mas consigo afirmar que são mais frequentes em pessoas entre os 35 e os 40 anos, com percursos profissionais bem sucedidos, que já tiveram um ou mais relacionamentos estáveis e não pretendem continuar nesse registo.” Ao clínico, admitem que se sentem confortáveis em amizades, de longa data ou recentes, que por vezes evoluem para “cenas de cama, frescas, discretas e sem segundos pensamentos” (neste caso, de afectos ou compromisso futuro). A leitura que o médico faz deste padrão “não formal” é a seguinte: o medo de um novo fracasso leva-os – homens e mulheres – a fugir do envolvimento, mantendo a actividade sexual sem amarras, com pessoas que conhecem bem.
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Por Clara Soares
Amizades coloridas
Fernando e Glória, dois trintões bem-dispostos, livres e urbanos, decidiram sair juntos, sem o grupo de amigos ou colegas de trabalho, para tomar um copo ao final da tarde. Ela, mais cautelosa, sugeriu uma esplanada que sabia não ser frequentada por pessoas conhecidas, “para evitar mexericos”. “Logo ali, dei-me conta de um quê de clandestinidade implícito, mesmo que, conscientemente, não tivesse a intenção de um encontro romântico”, lembra Glória. Repetiram a dose uma semana depois e gostaram daquele novo ritual nas rotinas de ambos, feito de trocas de impressões dos respectivos locais de trabalho, histórias e gostos pessoais, pormenores do quotidiano.
Já lá vão três anos de uma sólida amizade, sem haver propriamente regras definidas. “Às vezes, passava-se um mês em que não nos víamos e tínhamos por hábito manter uma certa leveza nos encontros”, explica Glória. E finalmente, a confissão: “Por três ou quatro vezes, tivemos sexo casual.” Glória já teve dois compromissos duradouros e admite que, de momento, não tem em vista uma pessoa suficientemente interessante para partilhar o quarto. Porém, isso parece não incomodá-la particularmente. “Vivo o momento e sei que ele também faz o mesmo. Ambos sabemos que é só sexo e não queremos mais do que isso – nem passar de amigos a namorados, porque nunca foi esse o registo.”
Este “registo”, que vive das (in)certezas de cada dia, marca cada vez mais uma progressiva faixa de pessoas, que não se privam de ter prazer só porque não têm uma relação (como manda – ou mandava – a regra). E se um deles encontrar um parceiro fixo? Estes encontros “em aberto” terão os dias contados? “Não sei”, responde Glória. A verdade é que não pensa sequer nisso, deixando que o momento dite a regra e aceitando, como até agora, as vontades de cada um, sem se forçar ou forçar o outro. “Às vezes, não é fácil”, conclui. “Mas pior seria se nos privássemos de todo, quando nos apetecer a ambos.”
Há ainda quem vaticine o fim do mito da monogamia – não faltam livros sobre o assunto – e a tónica desloca-se agora para um fenómeno emergente, que dá pelo nome de amizades coloridas. O termo nasceu no Brasil e aplica-se para designar relações em que o compromisso fica de fora. “No strings attached”, dizem os americanos. “Sexo com companhia”, dizem os que conhecem por dentro a experiência, mas que ainda não ousam falar disso abertamente ou usando o nome verdadeiro, como os casos anteriores. Afinal, trata-se de uma minoria que nem sequer foi alvo de estudo estatístico ou qualitativo. Porém, revela-se nas conversas de bastidores com pessoas de confiança, que “não vão dar com a língua nos dentes”, por assim dizer.
As regras do jogo são tácitas e nem todos terão perfil para jogá-las. Uma delas é não assumir, à boa maneira do adultério. Talvez por isso sejam mais comuns em faixas etárias superiores aos 30, quando já se tem uma noção de si mais diferenciada, com mais “calo”, e se passou pela turbulência de amores e desamores.
O médico Pedro de Freitas, especializado em Saúde Mental e Sexologia Clínica, confirma este fenómeno. Nas consultas de psicoterapia a que se dedica há vários anos, alguns dos pacientes mencionam "en passant" este tipo de amizades, que funcionam, no entender dos visados, como complemento de uma vida que se quer bem vivida e sem culpas.
“Não posso traçar um perfil, mas consigo afirmar que são mais frequentes em pessoas entre os 35 e os 40 anos, com percursos profissionais bem sucedidos, que já tiveram um ou mais relacionamentos estáveis e não pretendem continuar nesse registo.” Ao clínico, admitem que se sentem confortáveis em amizades, de longa data ou recentes, que por vezes evoluem para “cenas de cama, frescas, discretas e sem segundos pensamentos” (neste caso, de afectos ou compromisso futuro). A leitura que o médico faz deste padrão “não formal” é a seguinte: o medo de um novo fracasso leva-os – homens e mulheres – a fugir do envolvimento, mantendo a actividade sexual sem amarras, com pessoas que conhecem bem.
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quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Auto-estima: o que ela pode fazer por si
Não estar a par do vocábulo é estar out. Para que serve e por que se fala tanto nela, como de um parceiro para a vida? ...
Por Clara Soares
Publicado na revista Máxima, Agosto de 2010
http://www.maxima.xl.pt/Conhecerse/DetalheConhecer/tabid/313/itemId/412/Default.aspx
As marcas do primeiro amor
http://www.maxima.xl.pt/SexoEmo%c3%a7%c3%b5es/DetalheSexo/tabid/312/itemId/1295/Default.aspx
Por Clara Soares
Publicado na revista Máxima, Setembro 2010
Um ritual de passagem que nunca se esquece e nos lembra quem fomos ou como somos.
Por Clara Soares
Publicado na revista Máxima, Setembro 2010
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
«Não pense num Ferrari Amarelo»
Um paradoxo em quatro atos

I.PARTIR
«Nunca voltes ao lugar onde ja foste feliz». É o que se diz.
Alternativas (temporariamente) positivas:
Versão Comum: Fugir para bem longe (como fez a autora do livro Comer, Orar, Amar, depois do divórcio);
Versão Zen: Ficar onde se está (quando não se sabe o que fazer, o melhor é não fazer nada);
Versão Pop: Fazer de conta que não se passou nada e passar à frente (pode ser com um copo na frente, com comprimidos, como muito boa gente, e liftings sociais vários, do gadget digital ao «tanto faz, que é normal»)
II.SENTIR
O «vírus» quer-se em banho-maria (ou manel), mas é como a meteorologia. Um dia chove e nada fica como se queria.
A pedra no sapato volta a moer o calo e não há podologista que lhe valha. Não, o «plot» volta a circular na rede neuronal, hormonal e visceral. Tanto que até faz mal.
III.VOLTAR
O fim nunca é o fim. É um abandono temporário.
Um dia, num acaso qualquer ou coincidência improvável, alguém «demasiado familiar» reaparece do nada e abala as defesas que se julgavam «à prova de bala».
Mergulha-se numa foto, tropeça-se num mail, descobre-se com choque, durante uma conversa banal com um colega de trabalho que é, ou foi também, parte da história do tal Outro (o lugar que um dia habitámos e fomos - supomos - felizes).
IV.REFORMAR
O passado volta sempre, instala-se no presente, porque habita nos lugares mais escondidos em nós.
O problema não são, afinal, as emoções vulcânicas, mas o facto de não gostarmos delas.
Depois de tudo perdido, anestesiado, queimado, esquecido, resta o óbvio facto de que nada se perde para sempre.
Ninguem se deixa para sempre. Para trás ou para a frente, o filme é mesmo com a gente. Sem «final cuts» nem personagens ausentes. É quando percebemos que não deixamos nunca de ser protagonistas, mas podemos fazer qualquer coisa como ... guionistas.

I.PARTIR
«Nunca voltes ao lugar onde ja foste feliz». É o que se diz.
Alternativas (temporariamente) positivas:
Versão Comum: Fugir para bem longe (como fez a autora do livro Comer, Orar, Amar, depois do divórcio);
Versão Zen: Ficar onde se está (quando não se sabe o que fazer, o melhor é não fazer nada);
Versão Pop: Fazer de conta que não se passou nada e passar à frente (pode ser com um copo na frente, com comprimidos, como muito boa gente, e liftings sociais vários, do gadget digital ao «tanto faz, que é normal»)
II.SENTIR
O «vírus» quer-se em banho-maria (ou manel), mas é como a meteorologia. Um dia chove e nada fica como se queria.
A pedra no sapato volta a moer o calo e não há podologista que lhe valha. Não, o «plot» volta a circular na rede neuronal, hormonal e visceral. Tanto que até faz mal.
III.VOLTAR
O fim nunca é o fim. É um abandono temporário.
Um dia, num acaso qualquer ou coincidência improvável, alguém «demasiado familiar» reaparece do nada e abala as defesas que se julgavam «à prova de bala».
Mergulha-se numa foto, tropeça-se num mail, descobre-se com choque, durante uma conversa banal com um colega de trabalho que é, ou foi também, parte da história do tal Outro (o lugar que um dia habitámos e fomos - supomos - felizes).
IV.REFORMAR
O passado volta sempre, instala-se no presente, porque habita nos lugares mais escondidos em nós.
O problema não são, afinal, as emoções vulcânicas, mas o facto de não gostarmos delas.
Depois de tudo perdido, anestesiado, queimado, esquecido, resta o óbvio facto de que nada se perde para sempre.
Ninguem se deixa para sempre. Para trás ou para a frente, o filme é mesmo com a gente. Sem «final cuts» nem personagens ausentes. É quando percebemos que não deixamos nunca de ser protagonistas, mas podemos fazer qualquer coisa como ... guionistas.
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
DOMINGO
Descansar é deixar de cansar-se. Dar sossego à compulsão de sair, de estar sempre em boa (ou má) companhia. Nos bairros do amor virtual, multiplicam-se as tentativas de encontros: mesmo que as probabilidades de ganhar sejam idênticas às do Euromilhões, uma imensa minoria de solitários urbanos testa regularmente a sua sorte.
Entregues às leis do acaso, procuram novos momentos, para afastar pensamentos. Sossegam a dor quando fazem amor. Fazem-no, mas nem sempre o sentem. E raramente o encontram. «Algumas pessoas não querem aproximar-se muito», sussurra uma jovem sozinha, à mesa de um bar (a cena é do do filme Anjos Caídos, do realizador chinês Wang Kar Wai). E pensa num homem.
«Quando se sabe muito acerca de uma pessoa, perde-se o interesse», confessa a jovem, para a câmara. Di-lo porque acredita ou porque recusa o sabor do desânimo? No mercado dos afectos, as ausências racionalizam-se, por assim doerem menos. No final do dia, despe-se a pele domingueira e fecham-se os olhos. Entra-se, finalmente, em modo off. «Amanhã é outro dia».
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