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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Sexo: À minha maneira

Pesquisa portuguesa inédita revela: ter uma atitude positiva após um fracasso íntimo aumenta a resistência psicológica e melhora a vida sexual, enquanto que dramatizar só piora.


Sabia que pode tornar a sua vida íntima mais rica ou convertê-la num inferno, consoante o seu tipo de dieta? Não é dessa alimentação que estamos a falar. Os pensamentos e emoções são ingredientes que fazem toda a diferença durante a resposta sexual.
O Laboratório de Investigação em Sexualidade Humana (SexLab), na Universidade do Porto, divulga, em exclusivo para a revista VISÃO, os resultados de um estudo inovador, apresentado recentemente no Congresso da Sociedade Europeia de Medicina Sexual, em Istambul, na Turquia. O estudo - Resposta Sexual Perante Falso Feedback Negativo - pretendeu apurar em que grau as variáveis psicológicas interferem no aparecimento de dificuldades sexuais.

A equipa coordenada pelo psicólogo Pedro Nobre recriou, em ambiente experimental, uma situação que a maioria de nós terá já experimentado na vida real: receber uma informação negativa acerca do seu desempenho. A meta: saber como os participantes lidavam com essa mensagem, desconhecendo que era falsa.
Os 160 voluntários - heterossexuais jovens (média etária situa-se nos 23 anos) e sem problemas sexuais - foram convidados a visionar, individualmente, um filme de três minutos com cenas de sexo explícito, enquanto lhes era medida a resposta sexual, em tempo real (através de dispositivos colocados na zona genital, ligados a computador). A seguir, eram informados, via intercomunicador, de que a sua reação sexual era inferior à média.
Após visionarem o segundo filme, as reações físicas e psicológicas foram avaliadas e comparadas com as do grupo de controlo (que não recebeu a informação falsa). Os resultados foram surpreendentes e com maiores implicações no sexo masculino.

Atitude positiva
A pesquisa, que recria artificialmente uma situação de insucesso sexual, mostrou que ambos os sexos relataram, em média, ter sentido menos prazer e excitação no segundo filme (após a "má noticia"). Porém, esse impacto não se traduziu na resposta fisiológica, que se manteve sensivelmente a mesma nas mulheres (vasocongestão vaginal) e com algumas alterações negativas nos homens (ao nível da ereção).
As diferenças relatadas individualmente deveram-se, sobretudo, aos pensamentos eróticos e emoções positivas: uns e outros tendem a reduzir o impacto da situação incómoda ou desagradável, na intimidade. "A forma como as pessoas lidam com as experiências sexuais negativas determina as suas repostas no futuro", esclarece Pedro Nobre. Ou seja, manter ou promover uma atitude favorável numa situação adversa permite ganhar resiliência. O contrário - catastrofizar, por exemplo - traduz-se em "mais vulnerabilidade para desenvolver dificuldades sexuais a posteriori".
Assim, no momento de perguntar "gostaste?", afirmações aparentemente inócuas, como "mais ou menos" ou "nem por isso", podem revelar-se particularmente mortíferas, especialmente se quem recebe a mensagem tiver pouca "fibra" psicológica para aguentar o desafio.

O mito da perfeição
Em ultima análise, a perceção subjetiva de prazer é condicionada pelas nossas crenças. O estado de saúde das nossas vidas privadas parece, contudo, ameaçado pelo "vírus" das crenças irrealistas que continuam a vigorar na sociedade atual. A saber: "No caso do homem, a ideia do macho latino, que nunca falha na cama, com posição e estatuto, etc; na mulher, exigências como satisfazer o parceiro, ser sexualmente ativa, ter orgasmo durante o coito, e de preferência mais que um, além de ser boa no trabalho e no lar." Apetece perguntar se ainda faz sentido a dupla icónica Ken & Barbie (convertida em Bimby, na Era multitarefa).
Estes mitos parecem constituir fatores de risco para, mais cedo ou mais tarde, vir a desenvolver dificuldades sexuais. A pensar na melhoria dos tratamentos psicológicos para lidar com elas, o SexLab tem novo estudo a decorrer na consulta de sexologia da Universidade de Lisboa, que pressupõe o acompanhamento gratuito a homens com disfunção erétil. 

VEJA as FOTOS em Visão Online (publicado em 12.02.2014)

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Histórias que curam


O que fazer quando se recebe um diagnóstico «mau»? Como se lida com os efeitos devastadores de uma doença crónica? Que sentido dar a uma faceta pessoal não assumida?  Toda a experiência é válida, assim se consiga encontrar o fio à meada e tecer os contornos de uma jornada feita na primeira pessoa.

O rumo dado aos eventos parte, em última análise, da sua visão do real. Não raras vezes, é aí que se descobrem forças que se julgavam apenas dos outros, e permitem trilhar caminhos inexplorados, antes, durante e após processos difíceis.


Estudos realizados na universidade americana de Chicago demonstraram que as narrativas pessoais têm um forte potencial terapêutico. Aliadas à medicina, cada vez mais especializada, elas constituem um complemento essencial nos processos de recuperação e da gestão de doenças e, mesmo em fases terminais, têm o potencial de restituir a dignidade e a dimensão humana, subjectiva, que deve estar sempre presente nos processos de natureza física.

Sabia que…

… um «diário de bordo» é uma opção frequentemente usada para superar fases difíceis?

  • Não importa o grau de conhecimento que se tem do assunto, nem sequer as competências de escrita.
  • Registar no papel (ou no tablet) tudo o que se passa dentro e fora do corpo, num período de mudança, tem um poder catártico.
  • Contar o que vai dentro de si, sem julgamento prévio, confere a sensação de controlo, pelo menos em parte, durante um período de incerteza. 
  • Elaborar, ou dar um sentido mais profundo ao que está a passar pode traduzir-se em serenidade. Há quem prefira fazê-lo a solo, mas igualmente numa psicoterapia ou num grupo (presencial ou virtual). 
·      Vergonha, inadequação, medo e desespero são sentimentos que surgem – ou se intensificam – em momentos de sofrimento e de dor. Eles podem ser minimizados pela escrita guiada ou pela partilha de experiências, seja com um profissional de ajuda ou em grupos com problemas similares. Outra das vantagens da partilha é sentir-se acompanhado, ouvido e ter ao alcance a possibilidade de expandir, de forma criativa, a visão de si e das opções que se afiguram pertinentes numa dada etapa de vida.

O uso das narrativas biográficas tem-se revelado muito útil na formação de médicos e outros profissionais de saúde, especialmente os que trabalham em equipa e em ambientes tecnologicamente avançados (em que a componente subjectiva tende a ficar em segundo plano pela especialização e falta de tempo, dificultando a comunicação de diagnósticos, a adesão aos tratamentos e a colaboração do doente no processo clínico). Em Portugal já existem iniciativas deste género, como as conferências realizadas na Universidade de Lisboa (Centro de Estudos Anglísticos).

Viver para contar
O que as histórias pessoais podem fazer por si (e por quem as testemunha)
  • Fornecem informação útil: apreendemos melhor o que ouvimos directamente do que aquilo que lemos num folheto, que é desprovido do elemento emocional
  • Conferem apoio: saber que não se é o único a passar por uma situação complicada revela-se uma ajuda preciosa (num processo de decisão, num tratamento, na reabilitação ou no luto)
  • Estimulam a mudança de atitude: comprovar, in loco, como alguém foi capaz de deixar de fumar, de perder peso, superar uma quimioterapia ou um trauma, é uma fonte motivadora
  • Facilitam decisões: a comunicação entre prestadores de cuidados clínicos e de quem deles precisa estabelece-se numa base mais realista e com um maior grau de confiança
Ver mais em: Revista Máxima


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segunda-feira, 28 de março de 2011

O lado obscuro do amor

A essência do amor tem muitas formas de expressão. As mais tempestuosas reflectem a faceta sombria da nossa natureza sempre que nos atormentamos com aqueles que mais amamos.

Clara Soares
(publicado em http://mulher.pt.msn.com/relacoesefamilia/)

(imagem do blog China VillaMellera)

Houve tempos em que Isabel Aguiar, de 39 anos, se levava demasiado a sério. Mas chegou o dia em que se deu conta de certas situações que se repetiam de forma sistemática na sua vida. O marido, a melhor amiga, a sócia do negócio de pronto-a-vestir, pessoas que prezava e de quem não prescindia para a sua felicidade e bem-estar, tinham sido, primeiro que tudo… suas inimigas ou rivais!

“Percebi isto numa altura em que tudo me irritava, nada estava bem, faltava sempre alguma coisa”, lembra a empresária. Faltava o desafio, aquela luta que só o confronto do tipo cão-e-gato permitem. Em todas as ocasiões que tal se proporcionou, a resposta ao apelo foi sempre “sim”. Partiria dela esse rastilho de conflito e rebeldia, que resultava em emoções fortes e atitudes corrosivas?


Admitir fraquezas e defeitos de carácter é um assunto tabu, que remete para uma realidade escondida porque inaceitável, em geral. A questão era familiar para o psicólogo suíço Carl Jung, que dedicou parte da sua vida a estudar os enigmas da personalidade humana, tendo construído uma teoria em que defende que o inconsciente se manifesta de duas formas opostas: os aspectos aceitáveis da pessoa, e as partes obscuras, como os instintos primitivos e animais, herdados no processo evolutivo da espécie. Jung apelidou de Persona e Sombra estas duas facetas do Self. Nas sessões de psicoterapia, tinha como meta facilitar aos seus pacientes a fascinante, por vezes árdua, tarefa de trazer ao plano consciente estas dimensões do inconsciente. Uma das vias para o efeito era pedir aos alunos para pensarem em alguém de quem não gostassem ou odiassem até. Depois, era preciso fazer uma descrição escrita dos aspectos reprováveis dos visados. No final da tarefa, bastava que escrevessem no topo da página “A minha sombra”.


Numa perspectiva clínica, tendemos a ver nos outros partes de nós que não conhecemos, que tememos e por isso condenamos. Aforismos como “Quem desdenha quer comprar” ilustram verdades partilhadas pelo mais comum dos mortais, que nos lembram por que nos é tão natural reconhecermo-nos em alguém que detestamos sem saber o motivo. Esta teoria explica por que escolhemos por vezes para parceiros ou amigos do peito justamente os que nos levam a perder a razão.

No quotidiano, existem outras formas de viver este lado oculto, comum a cada um de nós. “Este lado revela-se na forma como conduzimos ou estacionamos o carro, mas também através de comportamentos agressivos, de atitudes dispersas.” Para a astróloga humanista Conceição Espada, os estilos de vida que as pessoas adoptam permitem identificar desequilíbrios entre os lados racional e emocional, entre as facetas da personalidade que são vividas como positivas e reconhecidas socialmente, e as outras, menos aceitáveis ou reprimidas. Só através da tomada de consciência dos aspectos latentes do ser é possível conhecer-se profundamente. O sistema desenvolvido por Conceição permite a vivência de aspectos menos explorados da personalidade.


Com a duração de dois dias, o workshop de astrodança/astrodrama combina os conceitos Jungianos com a interpretação dos quatro elementos naturais e dos planetas nas cartas astrológicas. Cada significado simbólico atribuído a um planeta, por exemplo, assume a forma de exercícios individuais ou em grupos, com recurso a técnicas teatrais, expressão corporal, dança, relaxamento e desenho. Após dois anos de experiência neste projecto, a astróloga reconhece que o trabalho não podia ser mais gratificante. “A pessoa é confrontada psicológica, física e emocionalmente com os seus medos e dificuldades de relacionamento.”

Que o diga Madalena O´Neill, de 40 anos, mãe de duas filhas, e até há pouco tempo recepcionista num campo de golfe. O curso permitiu-lhe ver-se ao espelho a partir de vários ângulos e mudar a sua vida, actualmente orientada para as artes.


www.maxima.pt