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segunda-feira, 16 de março de 2015

Did you say... Mindfulness?


We know the word, but do we know the meaning and how to use it in our daily lives? Is it just another trend, destined to fade, or is something else, important enough to be taken seriously, as a business, as an academic and scientific field and as a better way to live and to cope with health problems?
Jon Kabat-Zinn was the man who transformed buddhist meditation into a stress reduction method, giving it the scientific frame it now has, in american culture. The technique, which combines meditation and Hatha yoga, is being used by famous CEOs (from Apple and Google, to quote a few) and is progressively conquering a its own place in the university programs. Designed to to help patients cope with stress, pain, and illness by using what is called "moment-to-moment awareness", Mindfulness has come to stay. Among psychiatrists, also.    

Read more about it in Iva Tarle's post How is Mindfulness Used by Psychiatrists? and check how mental health professionals are incorporating the method in their clinical practice, in Psychology Tomorrow Magazine


domingo, 10 de março de 2013

Psicoterapia a nu


Na hora de procurar ajuda, saiba o que deve esperar de um profissional. A sua saúde mental agradece


4 «regras de ouro»:

Certificar-se das credenciais do terapeuta
Procurar referências do mesmo 
Indagar sobre o método usado e regras de funcionamento
Descubra se sente segurança e empatia na sessão


www.123rf.com

O que pode acontecer quando se tem a impressão de haver um clima erótico, numa sessão de terapia? A gestão da proximidade entre pacientes e profissionais de saúde mental é um tema atual que raramente se discute fora do âmbito da classe e da comunidade científica. As questões éticas agitaram a praça pública quando um prestigiado psicólogo americano, então colunista da Psychology Today, escreveu um texto polémico. Em Trabalhador sexual ou terapeuta?, Stanley Siegel defendeu que os objetivos e técnicas dos psicoterapeutas eram idênticos aos dos encontros com um(a) acompanhante: a experiência ocorria numa realidade suspensa e aí era possível existir empatia, compaixão, autoconhecimento e transformação pessoal, num tempo e espaço delimitados. A tese era para ser publicada na secção Intelligent Lust – a mais lida da revista – mas foi censurada e pode agora ser lida no novo projeto do ex colunista, ironicamente chamado Psychology Tomorrow. Para Stanley, a conjugação de conversa e sexo pode, em certos casos, solucionar problemas de autoestima, de ansiedade, inibição sexual e dificuldades em lidar com o corpo. Mas será mesmo assim? À luz dos códigos de ética internacionais, a resposta é não. 

A relação terapêutica obedece a um setting com regras próprias, em que o contacto físico não entra. A haver atração, ela deve ser descodificada nas consultas, em benefício do paciente, sem que o clínico aja como qualquer outra pessoa nessa situação (reforçando desse modo o problema que a pessoa traz). Ao agir as fantasias do paciente, o resultado pode ser contraproducente (ou não fosse por isso que as comédias acerca deste tema têm sucesso garantido, porque facilmente as reconhecemos, tanto quanto as tememos). Porém, a nível oficial, pouco ou nada se sabe acerca desta realidade escondida (o relatório que analisa as queixas dos utentes, da responsabilidade da Direção Geral de Saúde, não tem qualquer referência à área da saúde mental). Ténue é a linha que separa o próximo do demasiado próximo. A questão é saber como fazer quando isso sucede.
stanley-siegel.com

Maria (nome fictício) sofria de ansiedade social e tinha recorrido aos serviços de um terapeuta conhecido. Após três meses de sessões, deu por si a ficar impaciente pela sessão seguinte. «Chegava a ter consultas de quase duas horas, conversava ao telefone com ele e uma amiga alertou-me para o facto de isso ser, no mínimo, uma prática pouco ortodoxa.» No final de uma sessão, abordaram as dificuldades de relacionamento de Maria e ele despediu-se dela com um abraço e um beijo, acompanhado de carícias. «Fiquei desorientada, sem saber se devia ceder aos avanços, apesar de ter vontade.» Desde esse dia, nada voltou a ser como antes. «Comecei a sentir por ele tudo o que já havia experimentado em relacionamentos que acabaram mal.» Durante a pausa da terapia, para férias, Maria recorreu a outro profissional. Na terceira sessão conseguiu verbalizar o sucedido. Nunca mais voltou ao primeiro consultório nem fez queixa, «por sentir medo e culpa», que está a explorar agora, num novo contexto.
A confusão de fronteiras na dupla terapêutica tem feito correr muita tinta no meio das celebridades, cujas vidas são alvo do escrutínio público. Basta recuar um século para chegar à história de Sabina Spielrein, paciente de Carl Jung. O discípulo de Sigmund Freud sabia que estava a explorar terreno minado ao envolver-se sexualmente com Sabina, que veio a ser, igualmente, uma psicanalista famosa. O caso gerou polémica por ter sido violado o código de conduta, com consequências para os três visados, como o ilustrou, de resto, o cineasta Cronenberg, ao ficcionar a história, em Um Método Perigoso. Casos em que terapeutas menos avisados se renderam à sedução dos seus pacientes têm sido mais comuns do que o recomendável, pondo a nu as fragilidades humanas. Nos anos 30, a escritora Anais Nin, amiga e amante do seu psicanalista Otto Rank - outro dissidente de Freud – viria a descrever esse envolvimento num dos seus diários, admitindo publicamente o impacto que a experiência teve na sua vida, marcada pela relação incestuosa que tivera com o pai. Nos anos 60, foi a vez de Marilyn Monroe e Ralph Greenson. O médico abriu-lhe as portas da sua casa e apresentou-a a familiares e amigos, por entender que assim podia reparar os danos sofridos pela rapariga cuja infância fora passada em orfanatos e famílias de acolhimento. A morte da atriz, por overdose de barbitúricos, representou a travessia no deserto para Greenson. Um ano antes de morrer, redigiu o ensaio Problemas em psicoterapia com ricos e famosos, onde refletiu sobre os riscos de sucumbir ao poder sedutor dos pacientes, tomando como exemplo o caso «de uma actriz de 34 anos, bonita e famosa, com personalidade limite, aditiva e paranóide». 

Quase um século depois, a neutralidade do terapeuta é ponto assente, bem como a capacidade de lidar com a transferência (sentimentos e crenças do paciente que ele projeta no terapeuta). 
O clínico e o paciente não são amigos, não almoçam juntos e, excepto numa situação de emergência, não se contactam entre sessões. 

http://adangerousmethod-themovie.com

Para a psiquiatra Ângela Pires, o profissional deve preservar a sua vida privada e manter-se firme e seguro para poder acompanhar a pessoa em tudo o que ela sente, da zanga e fúria à paixão. Aceitar a pessoa que ali está implica, no ambiente clínico, dominar a arte de gerir a distância. «Nem tão próximo que perca o foco, nem tão distante que não se deixe tocar pelo paciente.» Quanto a eventuais abusos, comentados em surdina, por parte de quem ajuda e de quem procura essa ajuda, a médica adverte: «O envolvimento erótico do terapeuta é muito semelhante ao incesto e traz danos, na medida em pressupõe que ele age por vaidade, questões de ego ou inexperiência, em vez de traduzir um desejo de intimidade do paciente, com bom senso e sem rejeitá-lo.»
O que fazer, então, perante uma situação menos ética? David Neto, da Ordem dos Psicólogos, recomenda: «Confrontar o profissional e esclarecer eventuais equívocos e, se for uma queixa com fundamento, apresentá-la à entidade que o tutela.»

Glen Gabbard é um psiquiatra americano, famoso por avaliar profissionais de ajuda (padres, médicos e psicoterapeutas) acusados de transgredir limites no exercício de funções. Numa entrevista recente ao site do British Psychoanalytic Council, o diretor da clínica Baylor, no estado do Texas, afirmou que todos os clínicos são vulneráveis a passar das marcas, mas apenas os que têm distúrbios da personalidade o fazem. E cita alguns exemplos de transgressões, com caráter perverso: «Tratam as pessoas como suas amigas, outras vezes convencem-nas de que estão apaixonadas por eles.» Valendo-se da sua autoridade, criam falsas esperanças em quem as procura para apoio especializado e exploram-nas, quando as deviam acompanhar e proteger. Em certos casos, essa faceta revela-se, paradoxalmente, uma virtude. Glen, também autor do bestseller Psychiatry and the Cinema, explica porquê: «O público adora o tipo de pessoa que faz algo radical para salvar o paciente, isso torna-o sedutor.»
Consciente disso, uma jovem americana lançou, há dois anos, o conceito Terapia a Nu. Apesar de não ser reconhecida no meio clínico, Sara White insiste que o seu método – despir-se online, enquanto o paciente vai dando curso livre as suas fantasias – está para o século XXI como a psicanálise o foi para o século XX. A jovem argumenta, no site, que os homens estão assustados com as mulheres, que tomaram de assalto o meio clínico, e que o meio virtual se lhes afigura apetecível para se exporem, sem toque nem inibições, mas com sexo à mistura. Poderá ser terapêutico para alguns, mas não é psicoterapia.

Texto publicado em Revista Máxima (Dez.2012)